quarta-feira, 27 de junho de 2012

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln
Hodgenville12 de fevereiro de 1809 — Washington, D.C.15 de abril de 1865.

Filho de Thomas Lincoln um agricultor de ascendência inglesa, vivendo no Kentucky, um dos primeiros Estados criados após a independência da Grã-Bretanha (1792), na fronteira ocidental do país. 

Lincoln passou a maior parte da sua infância no território de Indiana, para onde a família se tinha deslocado em finais de 1816, devido a um processo judicial de contestação da propriedade que o pai possuia. 

A mãe Nancy Lincoln morreu no Outono de 1818, tendo Lincoln e a irmã sido educados pela madrasta, Sarah Bush Johnston, mãe de duas meninas e um rapaz, com quem o pai se casou no princípio do Inverno de 1819. 

Lincoln, filho de pais iletrados, teve uma educação muito pouco cuidada, frequentando a escola muito esporadicamente, mas que, como o  próprio afirmava, quando chegou à idade adulta, lhe permitia ler e escrever e fazer algumas contas básicas.


Em 1830 a família mudou-se novamente mais para Oeste, para o território do Illinois, na fronteira. Lincoln, com 21 anos, não querendo ser lavrador começou por tentar várias profissões, mas finalmente estabeleceu-se em Nova Salem, trabalhando em atividades como o comércio, os correios ou no levantamento topográfico.

Com o desencadear da Guerra de Black Hawk contra tribos índias, alistou-se como voluntário tendo sido eleito capitão da sua companhia. Não tendo, segundo as suas próprias palavras, visto guerreiros índios vivos, terá entrado em várias lutas sangrentas contra os mosquitos.

Reprodução da cabana onde nasceu Lincoln, e viveu quando criança (Abraham Lincoln Birthplace National Historical Park).

Entretanto, candidatou-se à Assembleia Legislativa do Illinois, para onde foi eleito repetidas vezes, após uma primeira tentativa falhada. Pensou em tornar-se ferrador mas finalmente escolheu a advocacia. 

Tendo aprendido por si próprio gramática e matemática, embrenhou-se nos manuais jurídicos, passado o exame de admissão à advocacia em 1836. No ano seguinte mudou-se para a capital do Illinois, Springfield, onde tinha mais possibilidades de exercer advocacia do que em Nova Salem.


O começo da profissão de advogado foi difícil e muito trabalhosa, tendo de deambular pelo Estado para conseguir clientes. Com o aparecimento dos "caminhos de ferro", Lincoln tornou-se advogado da Illinois Central Railroad, tendo defendido a companhia com sucesso, o que lhe deu uma real estabilidade financeira. 

Tornou-se um advogado reconhecido, tendo também ganho um célebre processo do foro criminal, onde defendeu o seu cliente da acusação de assassínio com a ajuda de um Almanaque que provava que, sendo a noite do crime de Lua Nova, e por isso muito escura, a testemunha do crime não podia ter presenciado o crime claramente.

Casamento e filhos
O primeiro interesse romântico de Lincoln foi Ann Rutledge, a qual ele conheceu quando se mudou para Nova Salem; em 1835 tiveram um relacionamento informal. Ann morreu aos 22 anos em 25 de agosto de 1835, provavelmente de febre tifoide.

Foto de 1864 de Lincoln com Tad.
Em dezembro de 1839, Lincoln conheceu Mary Todd em Springfield,
Illinois, vindo a noivar em um ano depois. Em 1842 casou com Mary,  uma mulher com uma sólida educação, pertencente a uma família distinta do Kentucky, e cujos familiares em Springfield faziam parte da elite local. Em 1844, o casal comprou uma casa em Springfield, próximo ao escritório de advocacia de Lincoln.

Do casamento nasceram quatro filhos, Robert Todd Lincoln nasceu em 1843 e  Edward Baker Lincoln em 1846. Edward morreu em 1 de fevereiro de 1850 em Springfield, provavelmente de tuberculose. "Willie" Lincoln nasceu em 21 de dezembro de 1850, e morreu em 20 de fevereiro de 1862. 

O quarto filho, Thomas "Tad" Lincoln, nasceu em 4 de abril de 1853, e morreu aos 18 anos em 16 de julho de 1871 causado possivelmente por tuberculose, problemas pulmonares,pneumonia, ou insuficiência cardíaca. Robert foi o único a viver até a idade adulta e ter filhos. Seu último descendente, o neto Robert Todd Lincoln Beckwith, morreu.

A morte dos filhos teve profundos efeitos nos pais. Abraham Lincoln sofria de "melancolia", uma condição que atualmente é conhecido como depressão clínica.

Com o casamento Lincoln começou a frequentar a igreja Presbiterana local. Sendo considerado um céptico em questões religiosas e um livre-pensador, era um conhecedor profundo da Bíblia, tendo acabado por defender que toda a história era obra de Deus.

Lincoln e a política
Quando Lincoln entrou para a política, no princípio dos anos 30 do século XIX, simpatizava com as idéias de Andrew Jackson (7º Presidente dos Estados Unidos) sobre o desenvolvimento da democracia nos Estados Unidos, mas, ao contrário do presidente, achava que o governo federal devia intervir na ajuda ao desenvolvimento  económico.

Admirando os dois grandes políticos americanos da década de 40, Henry Clay e Daniel Webster, começou por apoiar o partido Whig, assim chamado, imitando o antigo nome do partido liberal britânico, porque combatia ao aumento dos poderes presidenciais.

A residência da família Lincoln em Springfield (foto de 2008)
Lincoln achava que o seu Estado, o Illinois, e o Oeste em geral, precisavam desesperadamente do apoio do governo federal no apoio ao desenvolvimento económico, por meio de um banco nacional, uma barreira alfandegária proteccionista e um programa de desenvolvimento das comunicações.

Como membro da Assembleia legislativa estadual do Illinois, de 1834 a 1840, Lincoln desenvolveu um projeto grandioso, a ser subsidiado por fundos estatais, de criação de uma rede de "caminhos de ferro", estradas e canais, que foi aprovado, mas que por vários motivos não pôde ser concretizado.


A luta contra o rascimo e escravatura
Na década de 1850 a escravidão era legalmente aceita no sul dos Estados Unidos, mas tinha sido generalizadamente proibida nos estados do norte.

A posição de Lincoln sobre a escravatura era conciliatória defendendo que a escravatura não só era injusta, mas também era uma má solução, sendo que as doutrinas abolicionistas tendiam a aumentar, e não a diminuir, os efeitos perniciosos da instituição.
"The Rail Candidate". A candidatura de Lincoln é descrita como apoiada na questão escravocata: um escravo na esquerda e a organização partidária na direita.
Durante o seu mandato para a Câmara dos Representantes (1847-1849) Lincoln, que apresentou uma lei para a abolição da escravatura na capital federal que não agradou a ninguém, dedicou-se sobretudo a apoiar a eleição de um presidente Whig, o que foi conseguido com a eleição do herói da Guerra do México, Zachary Taylor, mas esta eleição não beneficiou Lincoln da maneira que ele esperava.


Afastado da política por um curto espaço de tempo, Lincoln regressou para combater a Lei Kansas-Nebraska, proposta pelo seu rival político Stephen A. Douglas, que permitia a existência da escravatura nestes estados, desde que aprovada pelos seus eleitores.

A luta política contra esta medida, que acelerou o declínio do partido Whig, deu origem ao Partido Republicano. Como muitos outros políticos Whig, Lincoln integrou este novo partido em 1856. Em 1858 Lincoln tentou ser nomeado para o Senado, em vez de Douglas.

A campanha eleitoral deu origem a um conjunto de debates, que abordaram sobretudo o tema da escravatura. Foi nessa época que proferiu o célebre discurso "Uma Casa Dividida", em que afirmou que "uma casa dividida não se pode manter", insistindo no tema de que as liberdades civis, tanto dos brancos como dos negros, estavam em causa no problema da escravatura.

Os debates não conseguiram fazer com que Lincoln fosse eleito, mas tornaram-no uma figura nacional, e fizeram com que, em 1860, fosse pensado para a Presidência dos Estados Unidos. Na verdade, acabou por ser escolhido como candidato do Partido Republicano, ao fim de três votações, na convenção desse ano.


Em 6 de novembro de 1860, Lincoln foi eleito o décimo sexto presidente dos Estados Unidos e o primeiro presidente pelo Partido Republicano; derrotando seus oponentes: o democrata Stephen A. Douglas, o democrata sulista John C. Breckinridge, e John Bell do recém-criado Partido União Constitucional. 

Lincoln acabou recebeu 40% dos votos dos eleitores, mas com uma grande maioria no Colégio Eleitoral, sendo que no colégio não obteve nenhum voto dos Estados do Sul.



Posse de Lincoln em 1861 no Capitólio. A rotunda ainda estava sendo construída.
Tentou-se chegar a um compromisso, a propósito da divisão territorial entre estados esclavagistas e livres, mas acabou-se por não chegar a nenhum acordo, o que levou outros seis estados do Sul a seguir o exemplo da Carolina do Sul, formando os Estados Confederados da América.

Na viagem de trem para a sua posse, Lincoln entrou em contato com multidões e várias legislaturas no Norte. O presidente-eleito contornou uma possível tentativa de assassinato em Baltimore, descoberto por seu chefe de segurança, Allan Pinkerton

Em 23 de fevereiro de 1861, chegou disfarçado em Washington D.C., tendo sido colocado sob guarda militar. Lincoln direcionou seu discurso de posse para o Sul, anunciando mais uma vez que não possuía intenção, ou inclinação, a abolir a escravidão nos estados do Sul:

Primeiro discurso de posse, 4 de março de 1861.

-A apreensão parece existir entre as pessoas dos estados sulistas, na qual a ascensão de uma administração republicana faz suas propriedades, e sua paz, e sua segurança pessoal estarem em perigo. Nunca houve qualquer motivo razoável para tal apreensão. 

De fato, a mais ampla evidência do contrário existe o tempo todo e foi aberto ao seu controle. Pode ser encontrado em quase todos os discursos publicados daquele que agora dirige a você. Eu faço citar um daqueles discursos em que declarei: "Eu não possuo nenhuma proposta, direta ou indiretamente, em interferir na instituição da escravidão nos estados em que existe. Acredito que não tenho o direito legal de fazê-lo, e eu não tenho nenhuma inclinação para fazê-lo." 

O presidente terminou seu discurso com um apelo para o povo do Sul:
- "Nós não somos inimigos, somos amigos. Nós não deveríamos ser inimigos (...) Os acordes místicos da memória, que se estende de cada campo de batalha, e patriota, a cada coração vivo e lareira, em todo esse amplo terreno, ainda vai expandir o coro da União, quando novamente tocado, como certamente será, pelos melhores anjos da nossa natureza".

O fracasso da Conferência de Paz de 1861 sinalizou que o compromisso legislativo foi implausível. Em março de 1861, nenhum líder da insurreição propôs reunir União em quaisquer condições. Enquanto isso, Lincoln e quase todos os líderes republicanos concordaram que o desmantelamento da União não poderia ser tolerado.

O início da guerra

A guerra acabou por ser declarada devido ao cerco do forte Sumter por tropas da Confederação. O forte que tinha sido acabado de construir na baía de Charleston, na Carolina do Sul, e estava guarnecido por tropas federais, foi bombardeado em 12 de Abril de 1861, antes da chegada anunciada de uma coluna de reabastecimento. 

O novo presidente requereu tropas aos governadores estaduais, o que fez com mais três estados abandonassem a União, entre os quais o importante Estado da Virgínia, e declarou o bloqueio dos portos sulistas. A estratégia de Lincoln era simples. Baseava-se em organizar o maior número possível de tropas e atacar em todos os lados ao mesmo tempo.

O peso demográfico e económico dos estados do Norte, ia sentir mais cedo ou mais tarde, sobre os estados do Sul, e a guerra terminaria. Mas a unidade de comando, necessária para coordenar os esforços dos diferentes exércitos federais, só foi conseguida em Março de 1864, quando Lincoln nomeou o general Grant, vencedor dos exércitos confederados no vale do Misissipi, comandante-chefe das forças da União. 

A estratégia de 1861 pode ser posta em prática, finalmente, e a rendição do estados do Sul não demorou.

Durante a Guerra Civil, a política de Lincoln em relação à escravatura foi-se modificando. Começando por defender a manutenção da escravatura nos estados em que ela existia, e a proibição da sua expansão para outros estados; a posição de Lincoln tornou-se, no fim da guerra, abertamente abolicionista. 

Com o decreto presidencial de 1 de Janeiro de 1863, que pôs em prática de acordo com o que considerava serem os poderes do Presidente em tempo de Guerra, e que ficou conhecido como a Proclamação da Emancipação, os escravos nos territórios do Sul sob domínio confederado eram libertos.

A medida só libertou 200.000 negros até ao fim da guerra, mas mostrou definitivamente que a abolição da escravatura se tinha tornado um dos objectivos da guerra, para além da manutenção da unidade política. 

A medida, de duvidosa legalidade, foi seguida por uma Emenda Constitucional, a decima terceira, que proibiu a escravatura nos Estados Unidos da América. A emenda tinha sido prevista no programa político do Partido Republicano, durante a preparação das eleições de 1864.

Durante a guerra, Lincoln teve de preparar a reconstrução dos estados do Sul. A questão foi sempre fonte de divisão no Norte e no Partido Republicano. A facção Radical defendia que os estados rebeldes deviam ser tratados duramente, enquanto Lincoln e os Conservadores defendiam que os territórios deviam regressar à normalidade o mais rapidamente possível, sendo as medidas de regularização da situação o menos duras possíveis. 

Mas a posição de Lincoln nunca foi muito clara, mesmo após o fim da guerra, parecendo que se começava a aproximar das posições dos Radicais, quando morreu.

Assassinato
Em 14 de abril de 1865, uma sexta-feira santa, Lincoln foi assassinado no Teatro Ford em Washington por John Wilkes Booth, um ator que achava estar ajudando o Sul. O resultado foi o oposto pois, com a morte de Lincoln, morreu a possibilidade de paz com magnanimidade.

Um cirurgião do Exército, Charles Leale, estava sentado próximo e imediatamente deu assistência ao presidente, que não apresentou reação: estava quase sem respirar e sem a pulsação sanguínea detectável. O guarda-costas John Parker saiu do Teatro durante o intervalo para, juntamente com o cocheiro, tomar alguma bebida no bar próximo. 


Dentro do Teatro Ford, da esquerda para a direita: Henry Rathbone, Clara Harris, Mary Todd Lincoln, Abraham Lincoln e seu assassino John Wilkes Booth.
O presidente desprotegido estava em seu camarote quando John Wilkes viu a oportunidade e por volta das 22h13, tendo como vista a parte de trás da cabeça de Lincoln, disparou-lhe um tiro que o feriu mortalmente. O major Henry Rathbone momentaneamente lutou com John Wilkes, mas foi esfaqueado e o criminoso fugiu.

Após dez dias de procura, John Wilkes foi localizado em uma fazenda na Virgínia, a aproximadamente 110 quilômetros ao sul de Washington DC; tentando resistir à captura, o criminoso terminou morto pelo sargento Boston Corbett em 26 de abril de 1865.
Camarote onde Abraham Lincoln foi assassinado.
John Wilkes Booth
Fonte: Wikipedia editada.
Veja com mais detalhes em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Lincoln

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