quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Processo mais antigo da República, movido pela Princesa Isabel, termina após 124 anos

O processo mais antigo da República chegou ao fim após 124 anos. Tratava-se de uma ação contra a União, movida por ninguém menos do que a Princesa Isabel. O alvo da disputa era o Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro

A batalha judicial se originou quando a princesa e seu marido, o Conde d’Eu, decidiram reaver o imóvel. O casal alegava ter sido expulso do local após o golpe militar de 1889 (que pôs fim à monarquia e deu início ao período republicano). Sete anos depois da proclamação da República, eles entraram na Justiça para tentar recuperar o patrimônio. Após o processo se arrastar durante anos, apenas em 2018 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Palácio Guanabara (anteriormente conhecido como Paço Isabel) pertencia ao estado do Rio de Janeiro. 

Mas a história ainda não havia chegado ao fim. Após a decisão, a família real, representada pelo sobrinho-neto da princesa, dom Bertrand de Orleans e Bragança, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, o STF finalmente confirmou que o Palácio Guanabara realmente pertence ao estado. De acordo com a decisão, não cabe nenhum tipo de reparação aos herdeiros da família real.

O Palácio Guanabara tem história. O imóvel pertenceu aos príncipes até a proclamação da República, quando foi confiscado pelo governo militar e transferido ao patrimônio da União. Também foi utilizado pelo presidente Getúlio Vargas como residência oficial durante o Estado Novo (1937-1945). O local foi inclusive atacado durante o putsch da Ação Integralista Brasileira em 1938.

Em 1946, o Palácio passou a sediar a Prefeitura do Distrito Federal, deixando de ser a residência oficial da presidência. Em 1960, quando a cidade do Rio de Janeiro deixou de ser a capital federal, o Palácio passou a ser a sede do Governo do Estado.


Fonte: 
Veja - Imagem: Joaquim Insley Pacheco (ca. 1830 - 1912), via Wikimedia Commons.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Encontradas 27 tumbas e milhares de relíquias da Idade de Ouro da China

Um grupo de arqueólogos encontrou 27 tumbas e milhares de objetos com mais de dois mil anos no noroeste da China. As descobertas foram feitas durante escavações em Xian, na província de Shaanxi. 

O local é famoso por abrigar esculturas de soldados de terracota que datam da época de Qin Shi Huang, o primeiro imperador chinês, que governou entre 247 a.C. e 221 a.C

Segundo especialistas, os artefatos encontrados agora são da época da dinastia Han, considerada a "Idade de Ouro" da história chinesa. Quatro das tumbas são de grande porte e, devido às suas características, acredita-se que pertenceriam a personalidades de grande importância para aquela sociedade. Especula-se que uma delas era de algum marquês. 


Na maior tumba, foram encontradas mais de 2.200 relíquias, incluindo peças de jade e figuras de cerâmica. Segundo o arqueólogo Zhu Lianhua, do Instituto de Proteção de Relíquias Culturais e Arqueologia de Xian, no local também havia a escultura de uma carruagem de bronze, louças de barro, estatuetas de terracota representando mulheres, sinos e acessórios de ouro e osso.

Com a restauração dos objetos encontrados e o estudo do sítio arqueológico, os pesquisadores esperam obter informações valiosas sobre os costumes funerários da China antiga. Xian tornou-se célebre após a descoberta do exército de terracota, em 1974. As impressionantes esculturas milenares se tornaram uma das maiores atrações turísticas chinesas. 

Fontes: Clarín e China.org

Imagens: Shutterstock.com e Instituto de Proteção de Relíquias Culturais e Arqueologia de Xian

Usadas para evitar a peste na Idade Média, "janelas de vinho" estão de volta na Itália

Uma antiga prática medieval de distanciamento social está sendo retomada na Itália. Durante um surto de peste bubônica, estabelecimentos criaram as janelas de vinho (buchette del vino, no original) para servir clientes com segurança. Agora, com a pandemia de coronavírus, o costume está de volta. 

As janelas de vinho surgiram na Idade Média, mas se popularizam na região da Toscana um pouco depois, no século XVII. Entre os anos 1629 e 1631, o país sofreu com a chamada praga italiana, também chamada de Grande Peste de Milão. Estima-se que a doença tenha causado um milhão de mortes (25% da população da Itália na época).


Como o nome indica, as janelas de vinho são pequenas escotilhas instaladas nas paredes de vinícolas e bodegas. Por meio delas, os comerciantes de bebidas podiam servir taças da bebida a seus clientes à distância em tempos de peste. Em vez de receber dinheiro na mão, os vendedores passavam uma bandeja de metal pela janela (onde era depositado o pagamento) e a desinfetavam com vinagre.

Florença ainda preserva diversas janelas de vinho históricas, sendo que algumas remontam aos tempos medievais. Mais de 150 delas podem ser encontradas nas antigas muralhas da cidade e em outras localidades da região. Com a mudança nas leis de comercialização de vinho no século XX, elas foram gradualmente deixando de ser usadas. Mas, com a pandemia de coronavírus, estabelecimentos de Florença resolveram reviver a tradição.

Desta vez, os comerciantes não estão servindo apenas vinho por meio das janelinhas. "Todo mundo estava confinado em casa por dois meses e, em seguida, o governo permitiu uma reabertura gradual", diz o site da Associação Florentina de Janelas de Vinho. “Durante esse período, alguns empreendedores voltaram no tempo e estão usando as janelas para distribuir copos de vinho, xícaras de café, bebidas, sanduíches e sorvetes - todos livres de germes e sem contato!”, completa a nota.


Fontes: 
New York Post e  Insider - Imagens: Associação Florentina de Janelas de Vinho/Reprodução

O continente africano está se partindo e pode gerar um novo oceano

Em 2005, um grupo de cientistas descobriu uma fenda de 60 quilômetros ao longo de um trecho árido da região de Afar, na África Oriental, onde o continente estaria se dividindo lentamente.  Caso isso se concretize a África pode se partir em dois pedaços, gerando um novo oceano. Agora, novas medições de satélite parecem confirmar essa tendência.

Especula-se que esse novo oceano africano demorará entre 5 e 10 milhões de anos para se formar, e se encontrará sobre os limites das placas da Núbia, Somália e Arábia. A região é um local privilegiado para se pesquisar processos tectônicos elaborados. “É o único lugar na Terra onde se pode estudar como uma fenda continental se transforma em uma fenda oceânica”, explicou o Dr. Christopher Moore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

As observações de satélites, junto a pesquisas de campo adicionais, podem ajudar os cientistas a reconstruir o que está acontecendo embaixo da terra, nessa região. Pesquisas anteriores haviam centrado em uma fenda de cerca de 55 quilômetros no deserto da Etiópia, em 2005. Os cientistas que estudam o fenômeno esperam que a observação da fenda sirva para ajudar a entender como a superfície da Terra é formada. 


As placas tectônicas da África e Arábia se encontram no deserto de Afar, no norte da Etiópia, e vêm se separando nos últimos 30 milhões de anos a uma velocidade de 2,5 cm anuais. Mas ainda existem algumas incógnitas que envolvem as causas da divisão do continente. 

Uma das teorias aponta que uma enorme coluna de rochas superaquecidas está se elevando do manto abaixo da África Oriental e provocando o surgimento da fenda continental.

Fonte: Clarín  - Imagens: Shutterstock.com e Universidade de Rochester

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Corrida na praia resulta na descoberta acidental de raro osso de dinossauro na Escócia

A pesquisadora Elsa Panciroli descobriu um osso fossilizado de dinossauro praticamente por acaso enquanto corria por uma praia na Ilha de Eigg, na Escócia. Estima-se que o animal tenha vivido lá há cerca de 166 milhões de anos. A descoberta foi uma surpresa, pois cientistas procuravam sem sucesso fósseis desse tipo no local há 200 anos.

Elsa é uma pesquisadora que atua no Museu Nacional da Escócia. Ela estava correndo na praia para encontrar seus colegas paleontólogos que faziam estudos na ilha quando basicamente tropeçou no fóssil. "Percebi que havia passado por cima de algo estranho.


Na hora não estava claro a que tipo exato de animal pertencia o fóssil, mas não havia dúvida de que era um osso de dinossauro". Anteriormente, apenas fósseis de répteis marinhos e peixes haviam sido identificados na Ilha de Eigg.

O osso, que tem cerca de 50 cm, foi levado a um laboratório para ser estudado. A análise revelou que ele fazia parte do membro posterior de um estegossauro que viveu no período jurássico. Até agora, apenas um outro fóssil de dinossauro havia sido encontrado na Escócia, na Ilha de Skye. 

A descoberta foi classificada por Elsa como "extremamente significativa". O osso de dinossauro agora pertence ao acervo do Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.



Fontes: BBC e Evening Standard - 
Imagens: N.Larkin, Steve Brusatte e Elsa Panciroli/Museu Nacional da Escócia/Reprodução.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Encontrados na Polônia brinquedos de crianças pré-históricas

Um grupo de arqueólogos encontrou duas pequenas peças de argila com formato de porcos em uma área rochosa localizada na aldeia de Maszkowice, no sul da Polônia. Estima-se que os artefatos tenham cerca de 3.500 anos. Os pesquisadores acreditam que as estatuetas podem se tratar de brinquedos de crianças pré-históricas da Idade do Bronze.

A descoberta, inédita na região, surpreendeu os arqueólogos. “Estas são as primeiras estatuetas zoomórficas encontradas, isto é, figuras que representam animais”, disse o pesquisador Marcin S. Przybyła, do Instituto de Arqueologia da Universidade Jagiellonian. Ele acrescentou que os artefatos são pequenos, com apenas alguns centímetros, mas feitos com muito cuidado, incluindo detalhes anatômicos, como mamilos.


As estatuetas têm estilos ligeiramente distintos, como se tivessem sido criadas por duas pessoas diferentes. Uma é mais clara, enquanto a outra foi queimada para ficar com um tom escuro. “Não há dúvidas a respeito do tipo de animal elas representam. Você tem que lembrar que os porcos da época pareciam mais com javalis do que com os porcos domesticados de hoje em dia”, disse Marcin. 

Marcin acredita que os objetos poderiam ter sido usados como brinquedos de crianças ou utilizados em algum tipo de culto. Alguns especialistas consideram que os povos pré-históricos representavam animais como forma de se apossar da essência deles.

As peças foram encontradas nas ruínas de uma antiga cabana que servia de residência durante a Idade do Bronze. A estrutura era provavelmente retangular ou quadrada, com paredes de cerca de 20 cm de espessura, cobertas com uma espessa camada de argila. No local, também foram encontrados ossos de animais, como porcos e bovinos.


Fontes: 
Science in Poland e La Nación  - Imagens: PAP/Grzegorz Momot/Reprodução

Fóssil de escorpião mais antigo que os dinossauros é encontrado no sul do Brasil

O fóssil de um escorpião que viveu entre 270 milhões e 260 milhões de anos atrás foi encontrado no interior de Santa Catarina. O animal é mais velho que os dinossauros, que só surgiram depois, há cerca de 240 milhões de anos. A espécie foi batizada de Suraju itayma (que significa "escorpião da rocha antiga" em Tupi).

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) durante uma viagem para coleta de amostras pelo interior de Santa Catarina, em 2005. 

Na ocasião, a paleontóloga Frésia Ricardi Branco parou o carro na beira da estrada BR 280 nos arredores de Canoinhas, perto da divisa com o Paraná, para procurar uma espécie extinta de conífera, semelhante a um pinheiro. Após recolher os fósseis, a equipe voltou para a universidade.


Na Unicamp, ao observar as amostras recolhidas na viagem, um dos alunos notou que além de vestígios da conífera de Canoinhas, havia um registro fossilizado de um pequeno escorpião. No entanto, o fóssil só foi estudado dez anos depois. Em 2015, o biólogo e paleoartista Ariel Milani Martine começou a trabalhar com a amostra de escorpião durante seu doutorado sobre descrições e reconstruções de aracnídeos fósseis do Brasil. 

Martine foi o principal autor de um artigo científico publicado em abril no Journal of South American Earth Sciences com a descrição da nova espécie de escorpião. “É o mais antigo fóssil de escorpião encontrado na América do Sul”, afirmou Martine, hoje professor na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). Vestígios paleontológicos de escorpiões são raros em todo o mundo. A espécie de Santa Catarina é a segunda do Paleozoico (entre 541 milhões e 245 milhões de anos atrás) encontrada no hemisfério Sul.  

Fontes: Revista Fapesp e NSC Total - Imagem: Ariel Milani Martine/Uenp, via Fapesp

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Adolescentes encontram 425 moedas milenares de ouro 24 quilates em Israel

Adolescentes que trabalhavam voluntariamente nas escavações de um sítio arqueológico em Israel acharam um verdadeiro tesouro. O grupo se deparou com 425 moedas de ouro 24 quilates que estavam enterradas há cerca de 1100 anos. A descoberta foi feita em Yavne, cidade localizada no Distrito Central do país. 

As moedas estavam em perfeito estado de conservação. De acordo com Robert Kool, da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), elas datam do fim do século IX, quando a região estava sob controle do Califado Abássida (750–1258 d.C). Essa dinastia islâmica tinha capital em Bagdá e ocupava um grande território, que chegou a se estender da Argélia ao Afeganistão.


"Eu escavei o solo e vi o que parecia ser folhas muito finas", disse Oz Cohen. "Quando olhei de novo, vi que eram moedas de ouro. Foi realmente emocionante encontrar um tesouro tão especial e antigo", completou. Segundo os arqueólogos, encontrar tantas moedas de ouro na região é extremamente raro, já que o metal costumava ser derretido e reutilizado por civilizações posteriores.

Quando foram enterradas, as moedas valiam uma grande fortuna. "Com essa quantia, uma pessoa poderia comprar uma casa luxuosa em um dos melhores bairros de Fustat, a enorme e rica capital do Egito naquela época", afirmou Kool. Com base no preço atual do ouro, as moedas valeriam aproximadamente US$ 52.600.



As moedas estavam em um jarro de argila enterrado em um buraco. Segundo os arqueólogos, o dono do dinheiro certamente esperava recuperá-lo. "Nós podemos apenas especular o que houve para impedi-lo de resgatar o tesouro", disseram Liat Nadav-Ziv e Elie Haddad, do IAA. 

O tesouro também continha 270 pedaços cortados de moedas, usados como troco na época. Uma dessas peças é extremamente rara. Ela teria sido cunhada em Constantinopla, capital do Império Bizantino, pois apresenta uma imagem do imperador Teófilo (829 – 842 d.C.).

Fontes: Live Science e CNN

Imagens: Yoli Schwartz/Autoridade de Antiguidades de Israel/Reprodução, Dafna Gazit/Autoridade de Antiguidades de Israel/Reprodução e Robert Kool/Autoridade de Antiguidades de Israel/Reprodução

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Foto de turista ressuscita lenda do monstro do Lago Ness

Uma foto tirada por um turista inglês durante uma temporada de férias na Escócia em 2020 chamou a atenção de defensores da teoria de que um monstro lendário e pré-histórico habita o famoso Lago Ness.

Steve Challice esteve de férias em Inverness, norte da Escócia, em setembro do ano passado, e postou em suas redes sociais algumas fotos da viagem, uma delas da margem oposto do Castelo Urquhart, no Lago Ness. Imediatamente uma das imagens chamou a atenção dos internautas.

Na foto, algo parecido com um peixe, mas com quase 2,5 metros de comprimento, foi comparado ao animal que faz parte do folclore da região há quase um século, o “monstro do Lago Ness”. Para defensores da teoria, é a melhor foto do monstro tirada desde sua suposta primeira aparição, em 1933.

Challice, no entanto, não pareceu muito animado com o alcance de sua postagem e muito menos com os comentários.”Na minha opinião é um "cat fish" ou algo semelhante, mas enorme, que nadou para o lago a partir do mar”, disse.

Com informações do site Daily Mail.

Hoia Baciu: Transilvânia abriga "a floresta mais mal-assombrada do mundo"

Hoia Baciu, também conhecida como “o Triângulo das Bermudas da Transilvânia”, é uma floresta de 3 quilômetros quadrados de superfície situada no oeste da cidade romena de Cluj-Napoca. Os mais antigos registros da presença humana na região datam do período neolítico, há cerca de 10 mil anos. As histórias e lendas sobre a floresta são responsáveis por dar ao local uma aura de mistério.

De acordo com mitos locais, quem anda por ali perde a noção do tempo:  muitas pessoas acreditavam que estavam na floresta há alguns minutos, quando na verdade passaram-se horas ou dias. Outra lenda diz que uma menina de 5 anos desapareceu em Hoia Baciu e foi reencontrada 5 anos depois, sem nenhuma transformação: a mesma roupa, o mesmo rosto e o mesmo corpo. Ou seja, o tempo não havia passado para ela.

A floresta também tem fama de ser palco de avistamentos de óvnis. Em 18 de agosto de 1968,  Hoia Baciu atraiu interesse internacional depois que o militar Emil Barnea e sua namorada, Zamfira Mattea, terem supostamente testemunhado algo incrível.

Segundo eles, um disco metálico brilhante flutuou em cima das árvores, girou violentamente e mudou de direção. De acordo com o casal, o brilho do objeto aumentou antes de ele desaparecer como um relâmpago, deixando transparecer sua cor prateada.


O local atrai muita gente interessada nos estranhos fenômenos relatados por lá. Até mesmo uma agência turística chamada Hoia Baciu Project foi criada para aproveitar a fama da floresta. Visitantes costumam relatar sensações estranhas ao explorar a mata, como náuseas e a impressão de estarem sendo observados. 

Apesar dessas histórias de arrepiar os cabelos, o guia Alex Surducan, um dos maiores conhecedores da região, é cético a respeito do caráter assombrado da floresta. Para ele, as pessoas estão tão desconectadas da natureza que quando visitam o local se deixam enganar pelos frutos da própria imaginação.


Fontes: ClarínThe Independent e The Guardian - Imagens: Shuttestock.com e Domínio Público/Reprodução

Diários secretos revelam que Mengele nunca se arrependeu dos horrores do nazismo

Em 7 de fevereiro de 1979, um homem identificado como o austríaco "Wolfgang Gerhard" morreu afogado na praia de Bertioga, litoral de São Paulo. Por muito tempo houve a suspeita de que ele fosse, na verdade, o médico nazista Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte". Em 1985, durante as investigações sobre sua verdadeira identidade, a Polícia Federal apreendeu documentos que pertenciam ao homem. No mesmo ano, sua ossada, enterrada em um cemitério de Embu das Artes (SP), foi exumada. 

Em 1992, exames de DNA comprovaram definitivamente que os restos mortais realmente pertenciam a Mengele. Enquanto isso, os documentos apreendidos pela PF ficaram esquecidos e só foram revelados ao público no ano de 2004, em uma reportagem da Folha de S. Paulo. Entre eles, estavam diários que o nazista havia escrito desde o fim da Segunda Guerra Mundial. 


Richard Baer, Josef Mengele e Rudolf Höss em Auschwitz, 1944

Os diários secretos de Mengele revelam que ele manteve suas convicções nazistas até o fim de vida. Os textos são carregados de antissemitismo, declarações de superioridade da raça ariana e repulsa à Alemanha após o fim do Terceiro Reich. Os documentos não trazem um pingo de arrependimento em relação aos horrores do Holocausto.

Mengele é apontado como responsável pela morte de 400 mil judeus. Seus crimes de guerra foram cometidos enquanto atuou como Oficial Médico do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, posto que assumiu em 1943. Uma de suas tarefas consistia em receber os novos internos e decidir com um simples movimento de mão quem viveria e quem morreria. 

Os que recebiam a negativa eram enviados à câmara de gás para o seu extermínio imediato, enquanto os demais eram introduzidos ao campo onde sofriam os mais terríveis abusos.

Mengele ficou conhecido pelos experimentos médicos que realizava em humanos que ele considerava simplesmente "ratos judeus". Essas práticas incluíam a morte e dissecação de gêmeos, injeções de substâncias químicas nos olhos de prisioneiros e amputações de todo tipo. Os experimentos pseudocientíficos tinham como objetivo comprovar suas teses sobre a superioridade da raça ariana.

Prevendo a derrota nazista na guerra, Mengele se preparou para fugir antes que fosse tarde demais. Saiu escondido de Auschwitz dias antes da chegada do Exército Vermelho. Conseguiu escapar da prisão depois da guerra, primeiro trabalhando em uma fazenda, cuidando de cavalos na Bavária. Em 1949, fugiu para a América do Sul. Ele se tornou um cidadão paraguaio em 1959 e, mais tarde, veio para o Brasil. Com a ajuda do verdadeiro Wolfgang Gerhard, de quem mais tarde assumiria a identidade, refugiou-se no Estado de São Paulo.

Os documentos escritos por Mengele após a guerra descrevem sua arrogância, ressentimento e rancor. Em um texto datado da época em que ainda estava escondido na Alemanha, o nazista zomba da inteligência "inferior" dos agricultores com quem trabalhava. 

Em diários do fim dos anos 1960, ele chama a juventude alemã de “degenerada”, porque estaria deixando de lado suas tradições. Além disso, ele lamentava a forma como o legado de sua geração era desprezado na Alemanha. Um outro texto, escrito provavelmente no Brasil, em 1973, defende a superioridade de algumas raças em relação a outras. Nele, Mengele condena a miscigenação e sugere que a prática poderia levar à derrocada dos Estados Unidos. Para completar, ele também elogia o Apartheid, regime segregacionista da África do Sul. 

Outro texto traz comentários desabonadores sobre os judeus, desprezando suas origens, que descreve como uma mistura entre raças da Ásia Menor e do Oriente que "ao longo de sua migração de milhares de anos, receberam elementos de raças europeias e negroides". 

No documento, Mengele afirma que os judeus de destaque se beneficiaram do ambiente cultural de outros povos. "Pode-se perceber facilmente que seus representantes de intelectualidade acima da média sempre, e sem exceção, viviam com povos que tinham um alto nível cultural. Isso vale para Moisés (Egito), Einstein (Suábia), [...] Spinoza (Holanda-Espanha), Mendelssohn (Alemanha), [...] Mahler (Alemanha) [...]. Parece que o componente do povo hospedeiro desempenhou papel decisivo. Desses, parece que o alemão foi o mais efetivo", afirma.

No livro "Mengele: a História Completa", de Gerald Posner e John Ware, de 1986, Rolf, filho de Mengele já afirmava que seu pai não se arrependia de seu papel no Holocausto. Ele disse que muitas vezes tentou perguntar ao pai sobre Auschwitz, mas que as respostas eram sempre uma "verborragia" filosófica e pseudocientífica que tentava justificar suas ideias racistas.

Fonte: Folha de S. Paulo Imagens: Domínio Público, USHMM, USHMM/Belarusian State Archive of Documentary Film and Photography, 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Ufólogo afirma que detectou "antigas ruínas de edifícios" em Marte

O polêmico ufólogo Scott C. Waring afirmou ter descoberto evidência de vida antiga em Marte. Ele disse que chegou a essa conclusão após detectar "estruturas similares a edifícios", em imagens da NASA. Não é a primeira vez que o teorista da conspiração enxerga coisas fantásticas em solo marciano. Ano passado, ele afirmou que avistou um sarcófago de faraó em Marte.

Waring defende que sua nova "descoberta"  confirma que Marte abrigou vida extraterrestre. Além disso, ele especula que essas criaturas eram pequenas, mas tinham uma anatomia similar à que possuem os habitantes da Terra.

“As ruínas desses edifícios parecem indicar que uma pequena espécie inteligente viveu dentro delas. Há cerca de 10 anos, descobri uma figura de mulher em Marte, e ela só tinha 15 cm. Acredito que a mesma espécie humana diminuta construiu essas estruturas como moradia”, teorizou Waring. 

Mais uma vez, nem é necessário dizer que as afirmações de Scott carecem de embasamento científico. Não há evidências de que um dia houve vida inteligente em Marte. O "achado" do ufólogo pode ser explicado pela pareidolia, que a NASA descreve como "um fenômeno psicológico no qual as pessoas veem formas reconhecíveis em nuvens, formações rochosas ou objetos".

Fonte:  Express.co.uk - Imagens: Shutterstock e Scott C. Waring/NASA/Reprodução

Fóssil misterioso encontrado na Antártida é ovo de 66 milhões de anos de réptil marinho

Em 2011, cientistas chilenos descobriram um fóssil misterioso na Antártida que parecia uma bola esvaziada. Por quase uma década, os pesquisadores se referiam a ele simplesmente como "A Coisa". Agora, novas análises apontam que trata-se de um ovo murcho fossilizado de uma criatura marinha que viveu há 66 milhões de anos.

Medindo 28 cm por 18 cm, é o maior ovo de casca mole já descoberto e o segundo maior ovo de qualquer animal conhecido. Além de seu tamanho impressionante, o fóssil é importante porque os cientistas acreditam que ele seja de um réptil marinho extinto e gigante, como um mosassauro. Até hoje acreditava-se que essas criaturas não botavam ovos.

"(O ovo) é de um animal do tamanho de um grande dinossauro, mas é completamente diferente de um ovo de dinossauro", disse Lucas Legendre, pesquisador de pós-doutorado na Jackson School of Geosciences da UT Austin. "É mais parecido com os ovos de lagartos e cobras, mas é de um parente verdadeiramente gigante desses animais", completou ele, que liderou o estudo. A pesquisa descrevendo o fóssil foi publicada na revista Nature.

Desde que fez a descoberta, o pesquisador David Rubilar-Rogers, do Museu de História Natural do Chile, mostrava o fóssil para vários geólogos na esperança de que alguém soubesse do que se tratava. Em 2018, Julia Clarke, professora do Departamento de Ciências Geológicas da Jackson School, matou a charada. "Mostrei para ela e, depois de alguns minutos, Julia me disse que poderia ser um ovo murcho!" disse David, que é coautor do estudo.

Usando um conjunto de microscópios, Legendre encontrou várias camadas de membrana que confirmavam que o fóssil era de fato um ovo. A estrutura é muito parecida com ovos transparentes e de eclosão rápida de algumas espécies de cobras e lagartos modernos, segundo ele. 

Ele descobriu que o réptil que botou o ovo teria mais de 6 metros de comprimento, da ponta do focinho até o final de seu corpo, sem contar a cauda. A descrição se encaixa com a do mosassauro, animal marinho que viveu no final do Cretáceo.


Fonte: Universidade do Texas - Imagens: John Maisano/Jackson School of Geosciences, Legendre et al. 2020 e Francisco Hueichaleo, via Universidade do Texas

Fóssil de 115 milhões de anos de criatura marítima é encontrado por estudantes ingleses

Uma dupla de estudantes universitários da Inglaterra encontrou um grande fóssil de uma criatura marinha extinta. Estima-se que o animal tenha vivido há cerca de 115 milhões de anos. Jack Wonfor, de 19 anos, e Theo Vickers, de 21 anos, fizeram a descoberta na Ilha de Wight.

O fóssil da criatura, chamada amonite, pesa aproximadamente 96 kg e mede 55 cm de diâmetro. Os estudantes levaram dez horas para retirá-lo do local onde foi encontrado, na Baía Chale. Os jovens estudantes classificaram o achado de "colossal".

Segundo Wonfor, o tamanho da amonite indica que trata-se de uma fêmea (conhecida como macroconcha). As fêmeas da espécie eram maiores que os machos pelo papel que desempenhavam no processo reprodutivo. As amonites faziam parte da família dos moluscos e foram extintas no final do período cretáceo, junto com os dinossauros.

Wonfor e Vickers são os fundadores de uma organização chamada Wight Coast Fossils, dedicada a preservar a geologia da Ilha de Wight. O local é considerado uma espécie de celeiro de fósseis. Recentemente, foram encontrados por lá uma cauda fossilizada de um dinossauro iguanodonte e os restos petrificados de um pterodáctilo.

Fonte: Daily Mail - Imagens: Wight Coast Fossils/Reprodução


domingo, 8 de março de 2020

Vaticano abre arquivos do papa Pio XII, acusado de ter sido "conivente com o nazismo"

O Vaticano está abrindo os arquivos secretos do papa Pio XII, acusado por críticos de ter sido conivente com o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Ao anunciar a iniciativa, o papa Francisco disse que "a Igreja não tem medo de segredos". Inicialmente, os documentos serão disponibilizados para um pequeno grupo de estudiosos.
Críticos de Pio XII acusaram o papa de ter ficado calado durante o Holocausto, pois ele não teria condenado publicamente a perseguição e o genocídio de judeus e outros grupos que foram alvo do nazismo. Já seus defensores alegam que ele encorajou discretamente conventos e outras instituições católicas a esconder milhares de judeus. Eles argumentam que se o papa tivesse feito críticas públicas aos nazistas, teria colocado em risco a vida de padres e freiras.
Depois de Pio XII ter sido  eleito papa, seis meses antes do início da guerra, o Vaticano manteve relações diplomáticas com o Terceiro Reich, e o novo pontífice se recusou a condenar a invasão nazista à Polônia em 1º de setembro de 1939. Em dezembro de 1942, Pio XII falou em termos genéricos sobre o sofrimento dos judeus, embora acredita-se que ele soubesse há vários meses sobre os planos de extermínio nazista. Em 1943, ele escreveu ao bispo de Berlim, argumentando que a igreja não poderia condenar publicamente o Holocausto por risco de causar "males maiores".

No controverso livro "O Papa de Hitler", publicado 1999, o escritor John Cornwell afirma que Pio XII era um "peão" do líder nazista. Outros historiadores, como Martin Gilbert, dizem que essa caracterização é um mito. Ele relembra que quase cinco mil judeus foram escondidos em mosteiros e conventos católicos em Roma durante a guerra, incluindo centenas deles no próprio Vaticano. No norte da Itália, outros milhares se esconderam na residência de verão do papa. Segundo ele, tudo isso aconteceu por orientação de Pio XII. Mais tarde, o próprio Cornwell afirmou que "é impossível julgar os motivos" do silêncio do papa durante a guerra.
Os arquivos que estão sendo divulgados contêm milhões de cartas, mensagens e correspondências de Pio XII, cujo pontificado durou de 1939 a 1958. Pesquisadores e grupos judaicos pediam há décadas a liberação desses documentos. 
Geralmente o Vaticano espera 70 anos após a morte de cada papa para abrir seus arquivos, mas o processo foi acelerado para esclarecer o debate a respeito de Pio XII, cujo processo de canonização se encontra suspenso. “Queremos expressar nossa enorme gratidão e agradecimento ao papa Francisco por dar esse passo", disse Menachem Rosensaft, vice-presidente executivo do Congresso Judaico Mundial.
O bispo Sergio Pagano, responsável pelo Arquivo Apostólico do Vaticano, disse que os estudiosos terão que fazer um julgamento histórico dos documentos. Segundo ele, levará anos até que o material seja avaliado completamente. "O bem [que Pio fez] foi tão grande que ofuscou suas poucas sombras", acredita. 
Entre os primeiros pesquisadores que terão acesso aos arquivos estão representantes da comunidade judaica em Roma e estudiosos dos Memoriais do Holocausto de Israel e dos Estados Unidos.

Fontes: The GuardianWashingon Post e CNN Imagem: Domínio Público, via Wikimedia Commons

"Espada mais antiga do mundo" é descoberta em mosteiro na Itália

Uma das espadas mais antigas do mundo passou praticamente despercebida durante anos em um mosteiro católico armênio que abriga um museu na ilha italiana de San Lazzaro, em Veneza. De forma equivocada, a relíquia havia sido catalogada como uma peça medieval. Agora, descobriu-se que o artefato tem cerca de cinco mil anos.
Quem descobriu a verdadeira origem da espada foi a historiadora Vittoria Dall’Armellina, da Universidade de Ca’Foscari, em Veneza. Ao observar o artefato, ela notou que a peça era parecida com as espadas mais antigas já encontradas, localizadas nas ruínas do Palácio Real de Arslantepe, na região da Anatólia (situada na atual Turquia). Ao analisar a arma, descobriu-se que ela havia sido fabricada com uma liga de cobre e estanho, mesmo material utilizado nas peças da Anatólia, que datam aproximadamente do ano 3000 a.C.

Ao contrário das espadas turcas encontradas anteriormente, a peça que estava no mosteiro não apresentava elementos decorativos nem outro tipo de inscrição. Isso sugere que o artefato seja ainda mais antigo do que as outras espadas conhecidas da Anatólia. Não está claro se a espada foi usada em combate ou se era uma peça cerimonial que foi enterrada junto com alguém durante uma cerimônia fúnebre.
Mas como a peça foi para em um mosteiro em Veneza? De acordo com os pesquisadores, na segunda metade do século XIX a espada foi enviada da cidade turca de Trebizonda para Veneza como um presente oferecido a um padre por um colecionador. Agora, os pesquisadores continuarão a investigar a misteriosa origem da relíquia histórica.
Fonte: Universidade de Ca’Foscari Imagens: Andrea Avezzù/Universidade de Ca’Foscari/Reprodução

Cópia rara da 1ª edição do livro mais importante de Isaac Newton é encontrada na França

Uma cópia rara de um dos mais importantes livros de Isaac Newton acaba de ser encontrada na França. Trata-se da primeira edição em latim de Philosophiæ Naturalis Principia (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural), de 1687, obra influente considerada um marco para a ciência. No manuscrito, o cientista inglês descreve suas três leis do movimento dos corpos, que ajudaram a definir a física moderna.
A preciosa edição foi encontrada na biblioteca do patrimônio público de Fesch, na ilha francesa da Córsega, por Vannina Schirinsky-Schikhmatoff, diretora de conservação da instituição. O local abriga cerca de 50 mil livros.  A pesquisadora se deparou com a obra ao analisar um catálogo do acervo registrado pelo fundador da biblioteca, Lucien Bonaparte (irmão de Napoleão).

Vannina, que comparou o achado com a descoberta do Santo Graal, encontrou a obra na sala principal da biblioteca. Segundo ela, o livro estava escondido nas prateleiras superiores. A capa estava um pouco danificada, mas o interior está em excelentes condições de preservação.
As cópias em latim da primeira edição da obra eram destinadas para serem distribuídas na Europa continental. Elas são extremamente valiosas, pois apenas 400 foram produzidas. Estima-se que apenas metade delas ainda existam. Recentemente, uma dessas cópias foi arrematada por US$ 3,7 milhões em um leilão em Nova York.
Fonte: Newsweek Imagem: Billthom, via Wikimedia Commons

sexta-feira, 6 de março de 2020

Berlim retira cidadania honorária de presidente que nomeou Hitler

Atendendo a uma decisão do Senado da capital alemã, o prefeito de Berlim, Michael Müller, ordenou oficialmente a exclusão do nome de Paul von Hindenburg da lista de cidadãos honorários berlinenses nesta quinta-feira (27/02).

Paul von Hindenburg (1847-1934) foi marechal do Império Alemão e presidente do país durante a República de Weimar. Em 30 de janeiro último, o parlamento local decidiu revogar sua cidadania honorária, sob a justificativa de ele ter nomeado Adolf Hitler para o cargo de chefe de governo alemão em 30 de janeiro de 1933.

Depois disso, Hindenburg assinou decretos de emergência e leis que tiraram poderes do Reichstag, o então Parlamento alemão, proporcionando aos nazistas novos instrumentos de poder.
Adolf Hitler e Paul von Hindenburg por ocasião da nomeação do ditador nazista como chanceler
Hindenburg havia se tornado cidadão honorário de Berlim em 20 de abril de 1933, mesmo dia em que Hitler fazia aniversário e também recebeu esse título. A cidadania honorária do ditador nazista foi retirada em dezembro de 1948.

Nos últimos anos, várias cidades alemãs revogaram a cidadania honorária que haviam outorgado a Hindenburg, incluindo Dortmund, Kiel, Colônia, Leipzig, Munique e Stuttgart.

Hindenburg "criminoso"

Durante as deliberações em Berlim, a política do partido A Esquerda Regina Kittler declarou: "Hindenburg foi um criminoso", dizendo que o ex-marechal de campo da Primeira Guerra Mundial contribuiu para a destruição da democracia na Alemanha. "Os tempos em que vivemos exigem uma defesa da democracia", disse Kittler.

Já o conservador Robbin Juhnke, do partido da chanceler federal Angela Merkel, que na cidade-Estado de Berlim está na oposição, rejeitou a exclusão do nome de Hindenburg da lista por refletir uma perspectiva "anti-histórica".

Juhnke enfatizou que Hindenburg foi eleito duas vezes pelos alemães como presidente na época da República de Weimar: a figura do ex-marechal de campo podia ser historicamente controversa, mas que seria um erro privá-lo da cidadania honorária.

Em 5 de fevereiro último, uma cena na Assembleia Legislativa da Turíngia causou burburinho, quando o político ultradireitista Björn Höcke, da legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), pareceu imitar Hitler se curvando enquanto cumprimentava Hindenburg em 21 de março de 1933, em Potsdam, apenas três dias antes do incêndio do Reichstag, instrumentalizado pelos nazistas para restringir as liberdades democráticas na Alemanha.

Höcke inclinou a cabeça diante do governador da Turíngia, Thomas Kemmerich – que ocupou brevemente o cargo graças aos votos dos deputados estaduais da AfD, como também dos parlamentares regionais democrata-cristãos e liberais. A cena foi duramente criticada. Guy Verhofstadt, líder da bancada liberal do Parlamento Europeu, classificou a cena como "totalmente inaceitável".

Estradas e praças também renomeadas


Na Alemanha, ruas e praças como o nome de Hindenburg também foram renomeadas. Outros locais permanecem associados a Hindenburg, incluindo uma via elevada para a ilha de Sylt, no Mar do Norte, no estado de Schleswig-Holstein. Hindenburg abriu essa conexão ferroviária em junho de 1927.

A ascensão de Hitler ao poder sob o governo de Hindenburg dependeu de um embuste legal por parte do então estado de Braunschweig, na República de Weimar. Desde 1925, Hitler, nascido na Áustria, era um estrangeiro apátrida. A ele fora repetidamente negada a cidadania na Alemanha.

Evitado na Baviera e posteriormente na Turíngia, o governo nazista de Braunschweig acabou lhe concedendo cidadania em 1932, declarando Hitler um de seus funcionários públicos e seu emissário para Berlim.

Apenas algumas semanas depois, o líder nazista perdeu as eleições gerais para Hindenburg, que permaneceu presidente alemão, mas em janeiro de 1933 nomeou Hitler chanceler do Império, depois de meses de discussões em torno da formação de uma maioria parlamentar.

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