terça-feira, 14 de março de 2017

Telegramas do Titanic revelam sofrimento dos passageiros

Foram descobertos telegramas do Titanic que revelam que os corpos dos passageiros mais pobres foram deixados no mar pelo barco de resgate para dar lugar às vítimas da primeira e segunda classes.





Se há uns meses a teoria de que o Titanic teria afundado por causa de um incêndio veio a público e provocou inquietação em muitos especialistas, agora os focos viraram-se para comandante do barco, “Mackay Bennett”, encarregue de resgatar da água os restos mortais de mais de 300 passageiros da tragédia. Segundo o Daily Mail, telegramas do Titanic divulgados recentemente revelaram que os corpos dos passageiros mais pobres foram deixados no mar a mando do oficial Frederick Larnder para dar lugar às vítimas da primeira e segunda classes. Nas cartas, trocadas entre Larnder e a White Star Line – empresa de transportes marítimos proprietária do Titanic -, a decisão foi justificada por não haver espaço suficiente para todos os cadáveres.
A partir daí, registaram-se todos os corpos sem vida, atendendo à sua classe social, e o comandante do “Mackay Bennett” optou por deixar no mar os corpos da terceira classe e recuperar os das classes mais ricas, para poderem ser devolvidos às famílias.
Durante mais de 100 anos depois do naufrágio daquele que era considerado o maior navio da história, os documentos passaram por várias mãosconta o ABC. Na altura, foram guardados por um ex-funcionário da Cunard Line, uma empresa de transportes marítimos que adquiriu a White Star, aproveitando as dificuldades económicas que esta atravessou em 1934, depois do acidente. Depois passaram para a sua filha que, por sua vez, os deu a Charles Haas, um historiador especialista no Titanic. Agora, vão ser leiloados.
A coleção [de documentos] desenvolve com grande detalhe o quão difícil foi o processo de salvamento dos corpos. Os marinheiros demonstram um sincero nervosismo e pressão nas mensagens”, revelou Charles Haas.
O especialista admitiu ainda que o número de mortos só foi registado depois dos marinheiros procurarem algo que lhes desse a indicação da sua classe social. Depois disso, foram lançados novamente ao mar 116 cadáveres.
Uma das cartas trocadas entre o comandante Frederick Larnder e a White Star.
Por que razão só foram agora revelados estes pormenores? Porque, oficialmente, apenas se sabia que tinham sido dadas ordens para serem retirados os restos mortais de todas as pessoas e, desde essa altura, ninguém pensou que tal ordem poderia vir a ser contrariada ou posta em causa.
De acordo com o especialista Andrew Albridge, a decisão de deixar os cadáveres das classes sociais mais baixas no mar foi tomada porque se pensava que nunca viria a ser descoberta.
Eu acredito que os telegramas foram enviados a pensar que nunca viriam a ser tornados públicos, mas agora podemos analisá-los a partir de uma perspetiva mais moderna, a partir de 2017. O mundo era um lugar muito diferente em 1912. Havia uma grande estruturação de classes que, desde sempre, dava prioridade às pessoas ricas sobre as pobres, estivessem vivas ou mortas”, admitiu Albridge, em declarações ao ABC.
O naufrágio do Titanic ocorreu a 15 de abril de 1912 e registaram-se mais de 1.500 vítimas, mas o barco da equipa de resgate “Mackay Bennet” apenas conseguiu avistar do mar, entre os dias 17 e 24 de abril, cerca de 300.

Fonte: http://observador.pt

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