sexta-feira, 6 de maio de 2016

Ilha de Páscoa não foi destruída pela guerra, diz estudo

Milhares de pequenos objetos, afiados, que lembram lanças, espalhados pela Ilha de Páscoa, apontavam que uma guerra deu fim à sua antiga civilização.

Porém, novas evidências, a partir de investigações arqueológicas, sugerem que esses objetos, chamados mata'a, não foram usados ​​como armas como se imaginava.

Tudo começou quando crenças populares consideraram que uma guerra maciça interna levou ao colapso da população da ilha localizada a 3.700 quilômetros da costa do Chile. O conflito seria resultado do uso excessivo de recursos limitados do local e teria levado sua civilização à beira da autodestruição. 
Agora, os mata'a passaram por uma nova análise chamada morfometria e sua história é contada de maneira diferente. Mais de 400 peças foram analisadas no estudo liderado por Carl Lipo, um antropólogo da Universidade de Binghamton, em Nova York.  

"Algumas são arredondadas, outras quadradas e algumas do tipo triangular", disse Lipo.  

Segundo ele, os variados formatos e espessuras das peças dificilmente possibilitariam que elas fossem usadas com eficiência para acertar órgãos vitais humanos em uma guerra. Além disso, as escavações arqueológicas na Ilha de Páscoa (ou Rapa Nui) não revelaram vestígios de traumas letais em crânio, membros decepados ou valas comuns, disse Lipo. Os cientistas também não encontraram estruturas como fortes ou defesas, algo comum em outras ilhas do Pacífico com uma história de guerra, tais como Fiji e Nova Zelândia.

O mata'a da Ilha de Páscoa  eram provavelmente ferramentas de uso geral, usados ​​para práticas agrícolas, rituais de sacrifício e tatuagem, acredita Lipo. Estas atividades pacíficas realmente fazem mais sentido em um contexto arqueológico, em uma pequena ilha, isolada, onde as pessoas teriam que aprender a lidar com seus problemas para viver em grupo, acrescentou o pesquisador. 

Se a civilização Rapa Nui foi bem-sucedida na remota ilha, a próxima pergunta que os arqueólogos precisam responder é como essas pessoas criaram uma comunidade sustentável, disse Lipo. "O mistério é realmente mais interessante agora", ele disse, "porque agora, temos algo a aprender." 

Na última década, arqueólogos apresentaram hipóteses de que doenças e escravidão introduzidas pelos europeus foram a causa mais provável do declínio da sociedade polinésia.
Fonte: Live Science
Imagem: Kachalkina Veronika/Shutterstock.com

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