segunda-feira, 23 de maio de 2016

A senhora de 90 anos que seduzia e levava nazistas à morte quando era garota

Aos 90 anos, Freddie Oversteegen possui em seu passado uma brava história de resistência aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando adolescente, ela, a irmã Truus e a famosa Hannie Schaft foram algumas das poucas mulheres ativas na resistência holandesa. Aos 14 anos, Freddie foi chamada para se unir ao combate com uma tática diferente: as irmãs Oversteegen flertavam com colaboradores nazistas e os conduziam à floresta, onde eles eram surpreendidos com balas em vez de carinhos e beijinhos prometidos.


Do trio de garotas da época, Hannie Schaft ganhou fama mundial com o filme "A garota do cabelo vermelho" e foi enterrada com honras na presença da Rainha Wilhemina e do Príncipe Bernhard da Holanda. Várias ruas no país levam o seu nome. Truus Oversteegen ficou conhecida como porta-voz dos serviços memoriais e artista. Freddie nunca ganhou tanto reconhecimento até que o cineasta holandês Thijs Zeeman realizou um documentário para a TV chamado Duas Irmãs na Resistência. 

Em entrevista à revista Vice, da Holanda, Freddie disse que nunca presenciou nenhuma morte de um nazista, pois não era autorizada a isso. 

"Alguém nos ensinou a atirar e aprendemos a marchar na floresta. Éramos uns sete — Hannie ainda não era parte do grupo e éramos as únicas meninas. Muito depois, um figurão nazista foi morto naquela mesma floresta, e enterrado lá também. Mas Truus e eu não pudemos estar lá quando aconteceu — eles acharam que não era algo que garotas deveriam ver", contou. 

Ela contou que o convite para participar da resistência partiu de um certo "homem de chapéu" que um dia bateu à porta da casa da sua mãe. Ele perguntou se poderia falar com as garotas e depois pediu autorização à mãe para elas participarem da resistência, o que foi concedido.  

Freddie contou que sempre soube o que se passava durante a guerra, já que sua família escondeu judeus perseguidos. 

"Durante a guerra, tínhamos um casal judeu morando conosco, por isso eu e a minha irmã sabíamos tanto sobre o que estava acontecendo. Mas eles deviam ser nossos inimigos, porque eles eram capitalistas e a gente era comunista." 

Até hoje, esta senhora que não acessa a internet porque "os filhos não deixam" tem seu lugar cativo na primeira fileira, entre as pessoas mais notáveis, na cerimônia do Dia da Lembrança da guerra na Holanda. Durante o minuto de silêncio da homenagem, ela diz que "pensa no fato que muita pessoas caíram". 

Enquanto isso, essa senhora de 90 anos segue com sua vida, jogando Scrabbles, indo ao dentista e comendo seu sanduíche, acompanhado por um chá, em meio a um passado recheado de lembranças de luta e resistência.


Fonte: Vice 
Imagem: Foto editada/Ministerie van Defensie, via Wikimedia Commons 

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